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Renascimento no Mercado Novo segue a todo vapor

João Renato

26/06/2019 01h33

Renovação tem trazido movimento para os corredores do Mercado Novo
(Foto: João Renato Faria)

No fim do ano passado, quando um movimento de ocupação de lojas no combalido Mercado Novo começou a dar uma cara diferente para o local, este blog chamou a atenção para o potencial da iniciativa. Na ocasião, eram apenas duas lojas, uma cervejaria e uma cozinha, se complementando em um andar que mal abrigava outros comércios, mas com a promessa de abertura de novos estabelecimentos. Pois bem. Alguns meses depois, não é exagero dizer que o projeto, batizado de Velho Mercado Novo, é das coisas mais interessantes que aconteceram na cidade nos últimos anos – junto da efervescente rua Sapucaí. Principalmente quando considerado o cenário de crise, com vários estabelecimentos icônicos passando por maus bocados ou até mesmo fechando as portas.

É bem verdade que, para a iniciativa dar certo, a curadoria de quem pode e quem não pode funcionar no espaço tem sido rigorosa. Propostas de hamburguerias – como se a cidade precisasse de mais algum desses –, por exemplo, foram todas vetadas. As placas e as reformas também precisam seguir regras rígidas, para não descaracterizar o Mercado Novo e promover uma integração com o comércio que já existia no local, como gráficas, fábricas de velas e lojas de utensílios domésticos.

Até por isso, o ecossistema que está se formando tem tudo para ser sustentável, com os diversos locais se complementando. Além das casas gastronômicas, já se instalaram por lá um estúdio de fotografia analógica, uma torrefação de café, uma galeria de arte, uma loja de produtos de designers e artistas locais, uma papelaria especial, uma livraria independente – tocada pelo pessoal da Polvilho – e uma barbearia. Mas o principal tem sido mesmo a comida. Por isso, listamos aqui algumas das opções que abriram por lá recentemente. Confira:

Moscata

Moscata: empadinhas com recheios que fogem do tradicional (Foto: Divulgação)

O pão de queijo é o salgado mineiro por excelência, mas a empada não fica atrás na preferência da cidade. Tanto é que o escritor Pedro Nava, lá nos anos 1920, se deliciava com os salgadinhos do bar Trianon, na companhia de Carlos Drummond de Andrade. Fosse hoje, era bem capaz dos literatos baixarem no Mercado Novo só para experimentar as empadinhas do Moscata. Os sabores são sazonais, e variam de acordo com o dia. Entre as opções, podem figurar jiló, rabada, cogumelos shiitake ou lombo com bacon, vendidas em porções com seis unidades, tamanho coquetel, ou uma unidade mais portentosa. Fixa, mesmo, só a opção de frango, que faria Nava e Drummond suspirarem. Vale a pena reservar, já que alguns sabores não costumam durar a noite inteira.


Cachaçaria Lamparina

Cachaçaria Lamparina: jeitão de venda do interior e boas opções de drinques (Foto: Léo Lima)

Com jeitão de venda do interior, a casa conta com dez rótulos de cachaça, oferecidos em doses. O cardápio oferece também sempre seis drinques feitos com a bebida. Três são clássicos, como a caipirinha ou o rabo de galo – que leva a branquinha, Cynar e vermute tinto. Outros três são opções diferentes, como o burrin de minas, uma espécie de releitura do moscow mule, ou o macunaíma, que leva cachaça, fernet, suco de limão, açúcar e gelo.


Copa Cozinha

Copa Cozinha: cheesecake de goiabada é uma das opções do café da manhã (Foto: Nani Rodrigues)

Apesar da óbvia vocação noturna da nova fase do Mercado Novo, ainda há vida nos outros horários. O Copa Cozinha ocupa justamente essa lacuna, funcionando de manhã, de olho no público que vai atrás de um brunch caprichado. Por um preço fixo de R$ 40, o comensal pode se servir à vontade de tortas, bolos, pães, geleias, coalhadas, café e chá. Quem não tem tanta fome pode escolher formatos com menos opções.


Charcutaria Tapera

É fato que a cena dos frios e embutidos da cidade têm crescido a olhos vistos. No espaço, dividido por um balcão, brilham salames, presuntos e copas. Um dos campeões de pedidos é o sanduíche de pastrami. Tábuas com diversas opções de cortes, acompanhados de queijos, azeitonas, patês e frutas também fazem sucesso.


Rei da Estufa

Rei da Estufa: Opções homenageiam os clássicos dos botequins
(Foto: João Renato Faria)

Vital em qualquer botequim de antigamente, a estufa andou perdendo espaço na cidade. Felizmente, alguns bravos resistentes mantêm as vitrines recheadas de petiscos. Neste espaço, um dos mais recentes do Mercado Novo, a proposta é justamente homenagear os clássicos dos botecos. Entre as opções à mostra estão salsichão, berinjela em conserva, lagarto, jiló, moela, almôndega, e, claro, torresmo.

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Velho Mercado Novo
Avenida Olegário Maciel, 742, 2° andar, Centro

Sobre o autor

João Renato Faria é jornalista de Belo Horizonte, atualmente no jornal O Tempo, e com passagens por Portal Uai, Estado de Minas e revista Veja BH. Gosta de descobrir novidades gastronômicas pela cidade, de música pesada, de rock instrumental e novidades da cena independente. Tem a compulsão de comprar livros mais rápido do que consegue lê-los. Já pensou em se mudar de BH, mas por enquanto a cidade é o único lugar com um feijão-tropeiro decente.

Sobre o blog

A música e a gastronomia de Belo Horizonte são o foco do blog. Os posts abordam tendências sonoras, eventos, atividades de casas de shows e a movimentação da cena independente. Os textos também falam sobre as boas opções de comidas de rua, bares e lanchonetes, veteranas ou recém-inauguradas na cidade.