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Blog do João Renato

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Em Belo Horizonte, café é coisa séria

João Renato

19/02/2019 12h28

Cena do café em Belo Horizonte aposta na valorização do pequeno produtor e em técnicas diferentes (Foto: Noete Café Clube)

Esqueça aquele café fortíssimo, com aparência de óleo de motor, cheio de açúcar para disfarçar o gosto de queimado e cujo único benefício era uma dose imediata de cafeína depois do almoço. Aos poucos, em um movimento que lembra o que ocorreu com as cervejas artesanais, os belo-horizontinos vão descobrindo que a bebida tem diversos sabores e nuances – e que andou bebendo cafés ruins por muito tempo.

As microtorrefações da cidade, como o Café das Amoras e o Café Américo, mostram que o grão não precisa ser sempre carbonizado para fazer um bom café. Aliás, o grão também não é um só: espécies como bourbon amarelo, catuaí vermelho e mundo novo são tão diversas entre si que quase parecem bebidas diferentes. Nesse cenário novo, os pequenos produtores, que têm um cuidado artesanal com as plantas que produzem o café, ganham espaço especial e diversas casas já compram diretamente deles as sacas para serem torradas.

Os métodos de extração também já vão muito além do tradicional coado ou do espresso. Termos como chemex, v60, e prensa francesa estão se popularizando e conquistando o paladar dos bebedores de café. Nem quente ele precisa ser. O cold brew, que é extraído a frio e bebido gelado, tem ganhado espaço e mostrando que as possibilidades para o café são diversas. O líquido tem sido usado também em drinques que vão além do tradicional irish coffee.

Conheça alguns espaços que oferecem cafés especiais em Belo Horizonte:

Café Kahlúa

Café suíço: espresso, nutella, licor de cacau, leite vaporizado e chantilly (Foto/divulgação)


É uma das pioneiras da cidade nos cafés especiais, e funciona desde 1993, no centro da capital. Uma interessante máquina de torra nos fundos é acionada de tempos em tempos, enchendo o salão com um cheiro marcante. Além da bebida, vale a pena encostar no balcão e bater um papo com o proprietário boa-praça Ruimar de Oliveira, o Rui. Além do espresso e do filtrado, vale experimentar as combinações da casa como o café suíço, que leva espresso, nutella, licor de cacau, leite vaporizado e chantilly, ou o frapê, que combina espresso batido com leite, gelo, açúcar e nutella.

Vai lá
Rua dos Guajajaras, 416, Centro
(31) 3222-5887

Academia do Café

Academia do Café: cursos e workshops para quem quer aprender mais (Foto:divulgação)


Oferece cursos e aulas para quem quer se aprofundar no mundo dos cafés, com foco em torra, degustação e preparação. Ainda conta com uma venda de equipamentos e acessórios, especiais, como filtros e moedores, além de também oferecer grãos de diversos produtores. Nas duas unidades da cafeteria, são oferecidos grãos de uma fazenda própria, no Triângulo Mineiro. É possível escolher o método de extração, como o v60, desenvolvido pela empresa japonesa Hario, ou a inusitada aeropress, que resulta em uma bebida que reúne a textura de coado com a potência de um espresso.

Vai lá
Rua Grão Pará 1024, Funcionários
(31) 3223-8565

Rua Antônio de Albuquerque 749, Savassi
(31) 3789-1385

Oop

Oop: espaço aconchegante e produtos sazonais (Foto: divulgação)


Um aviso luminoso escrito "slow down" ("vá devagar", em tradução livre) dá o tom da casa, de ambiente calmo e acolhedor. Os grãos de pequenos produtores são torrados no local, e oferecidos de maneira sazonal. Por isso, vale a pena não se apegar demais a um café específico e se abrir para outros sabores. Além da bebida quente, a casa também oferece um excelente cold brew, ideal para dias de calor.

Vai lá
Rua Fernandes Tourinho, 143, Savassi
(31) 3786-7888

Noete Café Clube

Noete Café Clube: casarão transformado em cafeteria (Foto: divulgação)


Surgiu como um clube de assinatura de cafés especiais, mas logo partiu para uma sede própria no bairro Santo Antônio. Além da cafeteria e da torrefação própria, no casarão também funcionam a charcutaria Local e o armazém São Roque. Além de 20 métodos de extração, a casa oferece duas degustações, que são uma boa pedida para os curiosos. Por R$ 20, o cliente pode escolher entre três grãos diferentes extraídos com a mesma técnica ou o mesmo grão preparado de três maneiras diferentes.

Vai lá
Rua Santo Antônio do Monte, 294, Santo Antônio
(31)3586-4645

Sobre o autor

João Renato Faria é jornalista de Belo Horizonte, atualmente no jornal O Tempo, e com passagens por Portal Uai, Estado de Minas e revista Veja BH. Gosta de descobrir novidades gastronômicas pela cidade, de música pesada, de rock instrumental e novidades da cena independente. Tem a compulsão de comprar livros mais rápido do que consegue lê-los. Já pensou em se mudar de BH, mas por enquanto a cidade é o único lugar com um feijão-tropeiro decente.

Sobre o blog

A música e a gastronomia de Belo Horizonte são o foco do blog. Os posts abordam tendências sonoras, eventos, atividades de casas de shows e a movimentação da cena independente. Os textos também falam sobre as boas opções de comidas de rua, bares e lanchonetes, veteranas ou recém-inauguradas na cidade.