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Painéis gigantes de arte urbana tomam o centro de Belo Horizonte

João Renato

13/11/2018 08h00

A vista da rua Sapucaí é privilegiada para acompanhar os trabalhos (Foto: Área de Serviço/Divulgação)


O centro de Belo Horizonte vem ganhando cara e cor nova desde o último dia 5. É que o Circuito Urbano de Artes (Cura) está realizando sua terceira edição, cobrindo as empenas – paredes laterais sem janelas, normalmente cinzentas e sem graça – de prédios com murais artísticos.

São quatro trabalhos em andamento, com a previsão de serem concluídos até o domingo, 18.
O ponto privilegiado para quem quer acompanhar o andamento das artes é a efervescente rua Sapucaí. Com uma mureta que oferece uma vista para o centro da cidade, a via recebe todos os dias, a partir das 16h, o Mirante Cura, misto de festa e contemplação artística. O evento só termina no domingo, 18, a partir das 10h da manhã, para receber uma festa que contará com DJs e MCs da cena independente da cidade e marcará o encerramento do evento.

A mureta da rua Sapucaí funciona como um mirante para os murais urbanos (Foto: Área de Serviço/Divulgação)


De lá, além das novas empenas, também será possível apreciar os murais pintados nas duas edições anteriores, como o da argentina Milu Correch, que mostra duas mulheres nuas mascaradas e virou uma espécie de novo cartão-postal da cidade. Segundo Janaína Macruz, uma das idealizadoras do Cura, a rua já é considerada o maior mirante de arte urbana do mundo. "Não existe nada parecido fora, um lugar que permita ver tantas obras sem muito deslocamento "Se você percorrer a Sapucaí inteira (são apenas cinco quarteirões) é possível ver todas as empenas que pintamos", afirma.

O trabalho da grafiteira Criola usa cores fortes e inspiração africana (Foto: Área de Serviço/Divulgação)


Quem aparece por lá pode ver como está ficando, por exemplo, a arte do edifício Amazonas Palace Hotel. Comandado pela argentina radicada na Espanha Hyuro, uma das principais artistas de murais do mundo, o painel está sendo desenhado com inspirações feministas. O edifício Chiquito Lopes recebe uma arte da grafiteira Criola, que realiza sua arte em uma fachada cega de 1.365 metros quadrados, a maior desta edição. "A Hyuro já pertence ao mainstream da arte urbana, é um sonho antigo nosso de trazê-la e só agora as agendas encaixaram. Já a Criola é uma das maiores grafiteiras do Brasil, e é de Belo Horizonte. Ela está fazendo um mural incrível, que mistura técnicas de stencil e pintura, com uma influência africana, de cores fortes", conta Janaína.

Empenas duplas: de um lado, o artista Comum realiza uma pintura com stencil; do outro, 21 artistas das letras deixam suas marcas (Foto: Área de Serviço/Divulgação)


Os outros dois painéis estão no edifício Satélite, lado a lado. Em um deles, o artista Comum, que também é de Belo Horizonte, se propôs a criar uma arte gigantesca de 65 metros de altura usando apenas stencil – técnica que usa moldes vazados. Para produzir a obra, ele encarou um processo de pré-produção em que cortou 700 placas para formar o seu desenho.

Do outro lado, está uma reunião de 21 pintores dedicados à caligrafia urbana, com nomes referência no grafite da capital, como Carimbo, Goma e Surto. Segundo Janaína, a ideia de levar os artistas que estão nas ruas era antiga, mas só deu certo agora, com a empena de autoria coletiva. "São vários estilos, várias tipografias. Queremos mostrar para o público que a letra também é um tipo de arte", conclui Janaína.

Trabalho das edições passadas, o mural da argentina Milu Correch já é um novo cartão-postal da cidade (foto: Divulgação)

Sobre o autor

João Renato Faria é jornalista de Belo Horizonte, atualmente no jornal O Tempo, e com passagens por Portal Uai, Estado de Minas e revista Veja BH. Gosta de descobrir novidades gastronômicas pela cidade, de música pesada, de rock instrumental e novidades da cena independente. Tem a compulsão de comprar livros mais rápido do que consegue lê-los. Já pensou em se mudar de BH, mas por enquanto a cidade é o único lugar com um feijão-tropeiro decente.

Sobre o blog

A música e a gastronomia de Belo Horizonte são o foco do blog. Os posts abordam tendências sonoras, eventos, atividades de casas de shows e a movimentação da cena independente. Os textos também falam sobre as boas opções de comidas de rua, bares e lanchonetes, veteranas ou recém-inauguradas na cidade.