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Destaque da cena instrumental de BH, Iconili se reinventa em novo disco

João Renato

23/04/2019 20h47

Força coletiva: mudanças na formação do Iconilli levaram banda a amadurecimento sonoro (Foto: Gabriela Schmidt / Pedro Moura)

Consolidado como um dos principais nomes de Belo Horizonte quando o assunto é música instrumental, o Iconili está pronto para entrar em uma nova fase. Após trocas de formação, que abriram o leque sonoro do grupo, os onze integrantes preparam o lançamento de seu quarto disco, batizado de "Quintais", previsto para chegar aos serviços de streaming no dia 17 de maio.

A principal mudança musical foi a entrada da vocalista Josi Lopes. Não, o Iconili não deixou de ser instrumental. Nas músicas, ela usa a voz como um instrumento, sem cantar letras, mas fazendo vocalizações e interferindo nas faixas de um jeito novo para a sonoridade banda. Também reforçaram a nova formação o baterista Fernando Feijão e a percussionista Chaya Vazquez, que têm longa história em outras bandas e também no Carnaval de Belo Horizonte.

Para compor o novo álbum, a banda se isolou no pequeno distrito de André do Mato Dentro, em Santa Bárbara, na região da Serra da Gandarela, no interior de Minas. "Para gravar os nossos discos, nós gostamos de fazer uma imersão, e ficamos em um processo de criação que foi muito interessante", explica o músico André Orandi, que se alterna entre teclado e saxofone na banda.

O resultado de tantas mudanças é que "Quintais" promete ser o trabalho mais plural da banda, que se dedicou ao rock progressivo no início da carreira, e depois se abriu para influências brasileiras e o afrobeat, nos discos Tupi Novo Mundo (2013) e Piacó (2015). "É um disco que é visivelmente um amadurecimento dos anteriores, as faixas trazem um descompromisso com qualquer estilo ou com linha de força", pontua Orandi.

Os dois singles já lançados até agora indicam o caminho novo que a banda quer seguir. Em "Sete Fluidos", a influência brasileira está lá. Mas as vocalizações de Josi Lopes trazem, de fato, um elemento diferente, remetendo à um ritual tribal ancestral, enquanto os batuques se misturam à sintetizadores e até um theremin, em uma levada com clara influência do jazz contemporâneo. Já em "Iris", a banda quebra a própria regra do som instrumental e abre espaço para Josi Lopes recitar um poema sobre feminilidade e maternidade. "Embora tenha letra, é uma declamação, não é uma coisa ligada à melodia", diz Orandi.

No estúdio, além da produção de Léo Marques, a banda contou com o reforço de Paulo Santos, que integrou o Uakti, influente banda mineira de música instrumental. "Ele chegou superanimado e deu várias ideias, foi muito legal a participação dele", afirma Orandi.

O público vai poder conferir as novidades no palco em breve. O grupo, que também conta com Gustavo Cunha (guitarra), Henrique Staino (sax tenor e soprano) , João Machala (trombone), Lucas Freitas (sax barítono e clarone), Rafa Nunes (percussão), Rafael Mandacaru (guitarra) e Willian Rosa (baixo), deve se apresentar no início de junho em Belo Horizonte e São Paulo para divulgar "Quintais".

Sobre o autor

João Renato Faria é jornalista de Belo Horizonte, atualmente no jornal O Tempo, e com passagens por Portal Uai, Estado de Minas e revista Veja BH. Gosta de descobrir novidades gastronômicas pela cidade, de música pesada, de rock instrumental e novidades da cena independente. Tem a compulsão de comprar livros mais rápido do que consegue lê-los. Já pensou em se mudar de BH, mas por enquanto a cidade é o único lugar com um feijão-tropeiro decente.

Sobre o blog

A música e a gastronomia de Belo Horizonte são o foco do blog. Os posts abordam tendências sonoras, eventos, atividades de casas de shows e a movimentação da cena independente. Os textos também falam sobre as boas opções de comidas de rua, bares e lanchonetes, veteranas ou recém-inauguradas na cidade.