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Blog do João Renato

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Dez coisas que só existem em Belo Horizonte

João Renato

09/10/2018 13h49

Toda cidade tem a sua cara. Rio de Janeiro é a "mais feliz do mundo", São Paulo é o maior centro urbano do país e Brasília é o centro político do país. Mas…e Belo Horizonte? No passado, a capital mineira era chamada de "Cidade Jardim". Mas a crescente urbanização dos últimos cem anos fez com que esse apelido se tornasse um tanto quanto inadequado. Cheia de árvores, com um clima ameno, um amor pela música e uma história na mineração, BH ainda não tem um novo apelido. Ainda assim, listamos algumas características únicas da cidade que deixam claro quanta personalidade ela tem.

As capivaras fazem parte da paisagem da Lagoa da Pampulha (Foto: Carlos Avelin/PBH)

Uma lagoa urbana habitada por jacarés e capivaras
Cartão-postal da cidade, a Lagoa da Pampulha tem alguns moradores ilustres do reino animal. Dóceis e mais fáceis de serem encontradas, as capivaras já deram um nó na prefeitura, que tentou retirá-las do local. Os jacarés (sim, são mais de um) costumam ser mais tímidos, mas de vez em quando surgem boiando no espelho d'água.

Uma avenida que começa e termina nela mesma
O nome já diz tudo: avenida do Contorno. Quando foi planejada, lá no século XIX, objetivo da via de 12 km era contornar a cidade inteira. Os projetistas não imaginavam que a capital iria crescer como cresceu, e hoje a Contorno dá a volta apenas na região central.

Mate-Couro e Guarapan
Esqueça a rivalidade entre Coca-Cola e Pepsi, ou entre Coca e Guaraná. Em Belo Horizonte, a verdadeira disputa entre as bebidas gaseificadas é entre o Mate Couro, que leva mate, chapéu de couro e guaraná na composição contra o Guarapan (fabricado pela Coca-Cola), que tem cor escura, é feito de maçã(!) e tem gosto de framboesa – apesar de o sabor oficial ser tutti-fruti.

Estátuas de escritores por todo lado
Carlos Drummond de Andrade conversando com Pedro Nava na rua da Bahia. Os quatro amigos: Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende na biblioteca pública. Murilo Rubião indo se encontrar com eles. Roberto Drummond caminhando na Savassi. Henriqueta Lisboa debaixo de árvores. Quem anda pela cidade acaba se esbarrando com as estátuas em cobre dos escritores que começaram suas carreiras por aqui.

A praça que virou praia
Tudo começou em 2010, como uma revolta contra um decreto do então prefeito Marcio Lacerda, que proibia "eventos de qualquer natureza" na praça da Estação, no centro de Belo Horizonte. A solução encontrada por artistas foi vestir a roupa de banho que só via sol na viagem de fim de ano para Guarapari e ocupar o imenso espaço para protestar. A brincadeira caiu no gosto da população e a Praia da Estação, como ficou conhecida, costuma acontecer nos meses mais quentes do ano.

O aquário temático do rio São Francisco é o maior de água doce do país (Foto: Isabel Baldoni/PBH)

O maior aquário de água doce do país
Localizado dentro do zoológico, o aquário recria os habitats da bacia do rio São Francisco. Para isso, conta com mais de um milhão de litros de água, dividido em 22 tanques. Entre os moradores estão peixes de espécies como piranha, pacu, surubim e dourado.

O metrô que é um trem
São 28 km de extensão, 19 estações e a brincadeira de que ele liga o nada a lugar nenhum. Esse é o metrô de Belo Horizonte, que, ao contrário de todas outras cidades, não tem um trecho subterrâneo sequer. Apesar de o mineiro apelidar qualquer coisa de trem, o transporte de superfície é sempre chamado de metrô.

O tropeirão do Mineirão é o acompanhamento tradicional das partidas (foto: divulgação)

Comer feijão-tropeiro no estádio
Parece muito estranho para quem vem de outros Estados do país, onde as opções gastronômicas dentro dos estádios de futebol se resumem a cachorro-quente, amendoim e pipoca. Mas comer um prato feito que leva feijão-tropeiro, arroz, couve, ovo frito, molho e lombo é uma tradição dos bares do Mineirão.

O aeroporto mais longe do país
O principal aeroporto de Belo Horizonte fica em Confins, cidade da região metropolitana que faz jus ao nome. A distância entre os portões de embarque e o centro da cidade é de aproximadamente 40 km, muito mais do que os 28 km que separam o centro de São Paulo de Guarulhos, ou o 17 km de distância entre o centro do Rio de Janeiro e o Galeão. Dependendo do trânsito, a ida até o aeroporto pode demorar mais do que a viagem de avião em si.

Os melhores queijos do mundo estão em Belo Horizonte (Foto: João Renato Faria)

A maior oferta de queijo de verdade
O queijo artesanal, feito com leite cru (aquele que não passou por processo de pasteurização) é um dos orgulhos dos mineiros. Como Belo Horizonte é o resumo do Estado, e recebe produtos de todas as regiões, lugares como o Mercado Central são ideais para encontrar queijos de regiões como a serra da Canastra, Serro e Alagoa.

Sobre o autor

João Renato Faria é jornalista de Belo Horizonte, atualmente no jornal O Tempo, e com passagens por Portal Uai, Estado de Minas e revista Veja BH. Gosta de descobrir novidades gastronômicas pela cidade, de música pesada, de rock instrumental e novidades da cena independente. Tem a compulsão de comprar livros mais rápido do que consegue lê-los. Já pensou em se mudar de BH, mas por enquanto a cidade é o único lugar com um feijão-tropeiro decente.

Sobre o blog

A música e a gastronomia de Belo Horizonte são o foco do blog. Os posts abordam tendências sonoras, eventos, atividades de casas de shows e a movimentação da cena independente. Os textos também falam sobre as boas opções de comidas de rua, bares e lanchonetes, veteranas ou recém-inauguradas na cidade.